MANIFESTO Barracão do ALMA

 

Saudações de (r)existência e gratidão aos Coletivos e parceiros e toda a comunidade local presente em nossa primeira MANIFESTO de 2016 pela Permanência dos Espaços Culturais do Conjunto José Bonifácio, localizados em uma área destinada a construção de mais prédios pela COHAB-Companhia Metropolitana de Habitação por meio da nova lei de zoneamento.

Este projeto imobiliário previsto pela COHAB e pelo  Plano Diretor Estratégico previa incluir em seus mapeamentos as chamadas “Zonas Especiais de Preservação Cultural” (ZEPEC) como possível plano de reconhecimento  e “demarcação de áreas da cidade destinadas à preservação, valorização e proteção de espaços culturais, afetivos e simbólicos, de grande importância para a memória, identidade e vida cultural da cidade”.

O Coletivo ALMA, acreditando que poderia fazer parte de alguma “zona especial” enquanto direito a cidade e dever do município, nos dedicamos  como gestores culturais e moradores da região durante o processo participativo e democrático proposto e contudo, permanecemos inaudíveis e invisíveis diante deste árido terreno da participação civil nas decisões políticas que determina as nossas vidas. Por fim, foi constatado que não coubemos em zona alguma e a única devolutiva que temos é o constante assédio moral e inúmeras cartas de despejo, sem nenhuma contraproposta ou qualquer posição que nos indique alguma direção justa sob a demolição do lugar que há 13 anos contribui com a qualidade de vida das pessoas, do bairro e da cidade como um todo.

Este espaço, como um patrimônio público de “administração” privada, no caso de ser definido como propriedade da COHAB, foi inicialmente ocupado em parceria com a Cooperativa de Mulheres Catadoras de Materiais Recicláveis (a CRUFFI), e está localizado em uma área concedida pela Prefeitura de São Paulo durante a gestão da prefeita Marta Suplicy em 2002. E em sua dimensão física ele é composto por duas salas e um galpão de 60m² e entre impostos, reformas e mãos de obra, já foram investidos no suor do nosso próprio trabalho mais de 80mil reais!

Nas dimensões socioambiental, cultural, simbólica e afetiva os impactos deste tipo de obra são imensuráveis. Só em 2015 nossa atuação alcançou indiretamente mil escolas públicas estaduais da zona leste por meio do projeto Rios do Nosso Lugar. Pelo projeto Ritos de Rios e Ruas percorremos oito municípios do Alto Tietê com oficinas, produção e circulação de espetáculos e vídeo documentários. Esses espetáculos teatrais de rua, percorreram mais de 40 cidades. Como Ponto de Cultura Cohabitarte: Ecologias Comunitárias estamos desde 2010 produzindo dentro e fora do “Barracão” mais de 150 ações diretas de fortalecimento da produção cultural local, plantio de árvores e ocupação de áreas verdes degradadas (córrego Lageado,”Praça Ocaruçu”).

Entre 2004 e 2010 atuamos em mais de 50 condomínios (3mil famílias) do Conjunto José Bonifácio levando arte e ecologia para dentro da moradia das pessoas em parceria com a CRUFFI. Portando, podemos afirmar  atingimos um público direto de mais de 15 mil pessoas! E é esta atuação que consagra o nosso fazer teatral como uma ação artística político/pedagógica fundamenta a cada dia o que  nos tornamos hoje: um Centro de Difusão e Formação Socioambiental e Cultural-Barracão do Coletivo ALMA.” 

Queremos deixar claro também que a nossa posição política é apartidária e não tem como objetivo contrariar as demandas sociais de moradia e trabalho diagnosticadas como prioridade em nossa região pelo Plano Diretor Estratégico. Somos a favor de uma cidade possível e sabemos o quanto esse pensamento nos move, não somente pela prática de nossas ações no local durante todos esses anos, mas pela integração de diversos fatores necessários para um desenvolvimento humanamente sustentável.

Nossa reivindicação vai muito além da permanência do Barracão. Queremos falar de respeito, direitos e deveres de todas as partes envolvidas e afetadas. Porque não somos “invasores” marginalizados de patrimônios públicos/privados abandonados pelos órgãos competentes. Somos habitantes desta cidade, deste bairro e exigimos o estudo e a escuta propositivas dos impactos reais desta obra.

Somos trabalhadores e trabalhadoras da Cultura, das Artes e da Educação, das Ecologias Sociais, Humanas e Biológicas, da Saúde Coletiva, por Políticas Públicas de Interesses Públicos e exigimos um diálogo direto com as autoridades vigentes sobre as faltas e condições insalubres que estão sendo impostas ao nosso trabalho, que é legitimo.

E nós (r)existimos.

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Instituições e Coletivos presentes neste Manifesto do dia 25 de março de 2016:

Coletivo ALMA

Instituto Reação Arte e Cultura

Reação Hip Hop

Coletivo no Batente

CPDOC Guainázes

Bloco de Ocupação

Sarau dos Loucos

Cidadão da Mata (Bahia)

Engrenagem Urbana

Cia Porto de Luanda

Cia Mapinguary

Ocupação Coragem

PelaArteePelaZuera Estúdio

Coletivo Negrume

Lele de Oyá

Sucatas Ambulantes

Sarau dos Umbigos

Ponto de Cultura Humaitá

Permaperifa

Cia Malas Portam

Instituto Pombas Urbanas

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