Vento ao Leste, enquanto sopra o tempo

pisando no lago

As avenidas que atravessaram os caminhos durante as entranhas que se abriram até aqui, devem a sua carona ao marco da velocidade imóvel. Não podemos ser ingratos aos deslocamentos que nos transferem, apesar deste atual modelo transfigurar paisagens/pessoas… as fontes da vida canalizada apenas sugerem, no seu “estilo de vida”, a memória das civilizações que, como elas, seguem o fluxo em um cano subterrâneo alimentando vícios e existências.

O processo, digamos, desconstrutor, da intervenção Vento ao leste, enquanto sopra o tempo nos permitiu dar mais um passo de encontro aos abismos existentes entre o ser vivo/ser lugar e suas extremidades.

A partir deste prisma navegamos por alguns lugares onde reconhecer o não lugar foi o barlavento que nos guiou aos sentidos híbridos do termo Barravento. Tínhamos pouco menos de um mês. Passamos pelas des-conjunturas capitalistas na ocupação dos territórios humanos, nas relações engenhosas da imobilização dos espaços, pelo dilatar da pupila com Glauber Rocha,sob os ritos de passagem com Victor Turner, entre os não-lugares com Marc Augé, nas ruas com os tráfegos, camelódramos, clows, viadutos e penhascos. Paramos em nós, diante um lugar desconhecido, inóspito e habitado.

 

griloUma quase réplica de jangada foi construída com troncos de uma jovem desconhecida árvore seca, encontrada aos trancos e barrancos que transitavam no refugo dos entulhos de uma praça. Assim, demos início a travessia -a cada apresentação, o fluxo das avenidas é o ponto de partida do homem/tronco a ser loteado ao homem/ser de algum lugar. Seus passos são estreitamente vigiados, impermeabilizando o trajeto de maneira que as pessoas se aproximem sem compromisso.

Cinco mulheres que o plantaram em algum ventre, se desfazem do território físico como grandes empreendedoras de um futuro próspero ao mesmo tempo em que, carregar o corpo daquele homem é o símbolo das mortes que as superam: medos, angústias, vazios, apegos, verdades, contradições de seus lugares…

Livremente inspirado no filme Barravento de Glauber Rocha, “Vento ao leste, enquanto sopra o tempo” é um rito de passagem que narra com o vento a trajetória do corpo humano nas relações engenhosas do capitalismo nos processos de ocupação humana e o intrínseco diálogo entre território físico e o ambiente urbano.

DSC_0378E assim seguimos o percurso das avenidas e das aguas subterraneas apresentando em diversos espaços públicos no dialogo com o público de passagem e com os espaços em questão: os seres moveis e os seres imoveis.

FICHA TÉCNICA
Elenco:
Ana Rolf, Adriana Gaeta, Letícia Leal Amoroso, Thabata Ottoni, Mauro Grillo
Trilha Musical:
Porto de Luanda, Letícia Leal Amoroso, Nayê Mello

Figurinos:
Maria Cecília Mansur

Concepção e Roteiro:
Thabata Ottoni

Realização: Coletivo Alma

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